quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Os cães ladram

"Os cachorros nunca tinham visto Lola, eu estava meio ansioso quando a apresentei a eles na manhã seguinte, pois os dois, e principalmente o Kerry, eram capazes de repentes malucos. Mas se era para ela ficar em casa conosco, isso precisava ser feito. Eu a pus no chão. O buldogue a cheirou com seu nariz achatado, trufado, depois bocejou, mas não de preguiça e sim de constrangimento; todos os cachorros bocejam quando ficam sem graça. Obviamente, não sabia o que ela era. Comida? Brinquedo? O Kerry concluiu que era brinquedo e lhe deu uma patada. Encurralou-a num canto. Ela reagiu, bicou seu focinho; Lola gritava de um modo rude e violento, como se proferisse os piores palavrões. Assustou o buldogue; ele correu para fora do quarto. Até o Kerry recuou - sentou - se e ficou olhando para ela, deslumbrado.
Dali para frente os cães passaram a respeitar Lola para valer. Mostravam por ela a maior consideração; ela não dava a mínima."(...)
Trecho do livro "Os cães ladram" de Truman Capote. Página 111

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Rainha do Drama

Como alguém aparentemente normal pode ir do inferno ao céu em apenas um dia? É meu caro, isso tem resposta. A Tensão Pré Menstrual pode causar surtos momentâneos, dramas e até pensamentos suicidas.

Falar de um assunto tão recorrente como esse é só para constar nos anais da minha vida e para guardar neste arquivo virtual o tipo de pessoa que eu me tornei. Até os 23 anos eu não tinha a real consciência do que era a TPM. Antes dos 24 anos de idade, minha menstruação era algo corriqueiro, que só sabia que estava nesse período porque sangrava. Não sentia a-b-s-o-l-u-t-a-m-e-n-t-e nada!

Depois dos 24, a realidade bateu na porta e com ela, a enxaqueca, surtos psicóticos, vontade forte de agredir aleatoriamente, vontade de abandonar minha vida, pegar um trem e partir para o infinito. Hoje aos 27 anos já aprendi a reconhecer cada sintominha destes que desregulam totalmente meu organismo e põe em choque todo o meu sistema nervoso.

Ontem aconteceu uma parada muito sinistra comigo. Tive uma vontade exagerada de largar meu emprego. Não sei se a TPM foi o estopim de todos os sentimentos envolvidos, mas especialmente ontem eu surtei, chorei e quis de verdade pegar o trem. Me senti fraca, burra, inútil, sem criatividade alguma e feia. Meu noivo foi bem paciente e sábio. Ele que já sofreu as conseqüências desta minha tensão mensal, me escreveu coisas boas e tentou me reanimar com choques de realidade. Sugeri para ele que ao invés de ficarmos juntos (correndo o risco de brigar, já que meu corpo fica sedento por uma briga nesta fase), que eu fosse para a academia extravasar toda a minha ira.

O resultado foi maravilhoso, enquanto malhava, pensei nas palavras carinhosas dele e parece que o suor derramado na esteira ergométrica levou junto toda aquela sensação ruim.

Hoje acordei disposta, olhei no espelho e vi outra mulher. Cheguei ao trabalho com a corda toda e respirei aliviada por esse período ter passado.

Considerações: não tomem nenhuma decisão neste período.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Qual é o seu sapato?

Desde o império romano que os sapatos demonstram qual classe social você pertence. Depois veio a Revolução Industrial e muitos sapatos foram confeccionados. No século XX surge o design para atender as “necessidades” impostas pela moda, mídia etc. Essa breve introdução sobre os sapatos é para chegar a uma observação que surgiu após a compra de uma bota de treking que estava me devendo há algum tempo. Analisei o quanto um sapato pode mudar o comportamento humano. Não é só a sensação de segurança e liberdade que uma bota ou tênis pode causar, é a vontade de mudar, de sair andando na chuva, subir ladeiras e tomar atitudes que um salto alto lhe impediria. É uma sensação contrária a estagnação.

Na verdade, os primeiros calçados foram criados para possibilitar os antigos a atravessarem trilhas montanhosas e desbravarem novos caminhos, mas surgem a tal necessidade, o design e os estilistas para enfiarem em nossas cabeças, ops, pés, sapatos que custam a minha existência.

Como um ser pode ser julgado pelo sapato que usa? Será que serei obrigada a encher meus pés de bolha dentro de um sapato fechado, entortar os pés a cada cem metros ou até mesmo quebrar meu tornozelo por não me adaptar a essa imposição ou para estar de acordo com o meio?

Voltando a minha bota... Tomei a liberdade de usá-la para ir trabalhar, mesmo sob os olhos inquisidores alheios. Me imaginei então em situações de caos, presa por horas no trânsito e já estava certa que se algo do tipo acontecesse, eu desceria do veículo e sairia andando, sem me importar com a distância. Pode ter certeza que não ousaria a tomar tal atitude com um escarpin ou até mesmo uma plataforma nos pés.

O sapato que você usa é o grande responsável pela rede social que você pertence. Nos dias que usei minha bota nas ruas, peruas me olhavam atravessado e os modernos me achavam descolada, quase me perguntando qual seria a próxima trilha. Agora veja você, se eu estivesse utilizando um Chanel, Prada, ou os famosos solados vermelho do francês Christian Louboutin? Claro que existe o charme, mas antes de qualquer coisa, a personalidade e a vontade dos pés devem ser respeitados.

Quero aproveitar da melhor maneira a minha Timberland, que também não deixa de ser uma tendência, mas mudou para melhor a minha vida.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Sobre novas tecnologias e velhas questões

Desculpem os xiitas, mas acredito sim que a tecnologia destrói as relações humanas. Tenho muito medo do que posso me tornar, de como serão as relações de amizade, as amorosas. Tudo virou efêmero. Qualquer problema é só apertar o delete e criar um novo perfil, que está resolvido. É informação de qualquer forma, sem algum controle. Não falo da colaboração, mas da banalização.

Quando era criança, imaginava escrever um livro em papel ofício e guardava todas as minhas anotações em baixo do colchão. Escrevia em diários e guardava aquela frágil chave como se fosse a minha vida. Na pré-adolescência toquei fogo no “livro” e passei a customizar agendas, cadernos e escrever cartas de desabafo para mim mesma. Eis que surge a Internet, o e-mail, os blogs, o twitter e todas as “redes de relacionamentos” e todas as outras coisas vão sendo eliminadas num piscar de olhos. Até o e-mail já se tornou ultrapassado, imagina os cartões de Natal enviados pelos Correios? Isso não é evolução!

Engraçado como uma amiga passou uma temporada do outro lado do continente. Hoje ela está de volta e parece que ela não esteve longe momento algum. O tempo inteiro conversava com ela no Gtlak, Messenger ou trocávamos scraps, e-mails, sms. A saudade que deveria se fazer presente foi suprida por uma série de artifícios ou ferramentas.

E quais serão as próximas providências? Troco informação com com pessoas que eles nunca viram pessoalmente, nunca falei ao telefone. Não quero que ser reduzida a um avatar ou a um Sims.

É uma discussão boba, batida e já ultrapassada, mas quero pensar num sentido bom para as coisas que eu faço. Quero poder escrever para ser lida e que isso tenha um significado, faça alguém pensar. Não da mais para jogar tanta palavra e sentimentos ao vento, sory, no ciberespaço.

Operação PF

Sempre quis saber como são pensado os nomes das operações da Polícia Federal. Será que existe algum estudo para relacionar o nome com a ação? Alguns deles parecem inspirados em livros, filmes, músicas e novelas. Selecionei alguns que achei interessante: Top Gun, Vôo Livre, Iceberg, Kabuf, Desvio Químico, Flash Back, Tarrafa, Integrada Afrodite, Telhado De Vidro, Pinóquio, Pleno Emprego, Titanic, Pasárgada, Auxílio-Sufrágio, Lactose, Caipora, Cartada Final, Albergue, De Volta Para Pasárgada, Loki, Play Back, Satiagraha, Psicose, Minuano, Canto Da Sereia, Fura-Fila, Tarja Preta, Sorte Grande, Game Over, Poeta, Arca De Noé, Rei Artur, Nas Ondas Da Rádio, Estranho No Ninho, Déja Vu, Sonho Encantado, Inseminação Artificial, Tv Pirata, Big-Apple, Hurricane, Banco Imobiliário, Wood Stock, Alquimista, Capitão Gancho II, Vidas Secas, Branca de Neve, Gato de Botas, Big Brother, Terra Nostra, O Clone, Negócio Da China.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Comunicação e Linguagem



Motoristas se comunicam pela buzina. Concluo que esta resposta sonora substitui a fala, o olhar, o gesto e qualquer outro tipo de linguagem que um ser humano possa expressar. Nesses meus vinte e poucos anos dentro dos ônibus da vida, tento compreender que tipo de linguagem é essa. O que quer dizer essas buzinas?

A segunda teoria da minha pequena tese é: Motorista são felizes. Pelo menos é o que parece quando estão em equipe. Sempre cumprimentam uns aos outros com muita receptividade.

Comecei então a observar esse tipo de comunicação através do som que vem do veículo. Primeiro, os motoristas só buzinavam para os colegas da mesma empresa em que trabalham. Hoje, já percebo que a união está presente também com os que fazem outras linhas. Mas, isso não ocorre sempre. Os motoristas criaram grupos dos que buzinam. Um motorista de micro – ônibus só buzina para outro motorista de outra empresa, se esse estiver dirigindo também um micro – ônibus.

Antes, essa espécie ao qual eu me refiro, buzinavam muito para garotinhas nas ruas como sinal de paquera. Tipo, duas buzinadas curtas e seqüentes serviam para chamar a atenção da garota que estava no ponto. Hoje, isso já está cafona para eles, não tenho percebido mais esse tipo de coisa. Nunca mais ouvi duas buzinadas curtas e seqüentes.

Outra coisa que nunca mais encontrei nos ônibus são as menininhas que sempre sentavam nos bancos mais próximos do cobrador e/ ou do motorista. Geralmente o assunto em pauta era sobre linhas de ônibus, horários de ônibus, numeração de ônibus e galinhagem mesmo.

Existem três características que qualquer um poderia perceber quem são essas garotas. Sempre elas estavam sentadas em bancos próximos ao cobrador e /ou motorista. Além de sentadas nesses lugares estratégicos, como se fossem devidamente demarcado, elas usavam farda escolar – geralmente alunas de colégio público. A terceira e última característica, que por sinal todos já conhecem, é que além de sentarem perto deles, de usarem farda, elas tinham a inseparável toalhinha, sempre na mão, junto com o classificador para enxugar o suor ou soar o nariz.

Nessa observância conclui que, as tais toalhinhas eram usadas como símbolo, algo que apenas cobradores, motoristas e essas meninas entendiam qual o verdadeiro significado e significante. Era realmente um objeto de estima, algo que nem a semiótica consegue explicar.

Considerações finais

Não se vê mais rodoviários com toalhinhas no pescoço, nem com o bigode pintado de lôro. São poucos os que ainda utilizam os suportes terapêuticos com bolinha de madeira que previnem as hemorróidas. Eles evoluíram, virou gente, estão querendo deixar a fama de trogloditas cafonas para trás.